
Repórter Jota Anderson
Se uma parte significativa da população não mudar sua forma de pensar e votar, a política local continuará sendo a mesma. Essa é uma reflexão necessária diante do que temos visto ao longo dos últimos anos: os mesmos grupos, os mesmos acordos, os mesmos personagens se revezando no poder.
Na última eleição municipal, um dos temas mais comentados foi a prática de compra de votos. Embora seja crime eleitoral, essa prática só existe porque há quem aceite. Ou seja, a responsabilidade não é apenas de quem oferece — mas também de quem concorda. Sem mudança de postura do eleitor, o ciclo se repete e o resultado também.
Não é apenas sobre quem fala melhor ou quem tem a oratória mais forte. Boa fala não é sinônimo de boa gestão. Administrar uma cidade exige preparo técnico, visão de longo prazo, responsabilidade com o dinheiro público e compromisso real com a população — não apenas com grupos de interesse.
Existe também um ponto pouco discutido: muitos idealistas, que não dependem de cargos públicos nem de acordos políticos, acabam ficando de fora do processo. São pessoas que poderiam contribuir com novas ideias e novos modelos de gestão, mas encontram barreiras em estruturas já consolidadas.
Se o perfil do voto não muda, o resultado também não muda. Os grupos que há anos ocupam espaços de poder continuam mandando, se reorganizando e permanecendo influentes. A renovação política não acontece apenas com novos nomes, mas com nova mentalidade do eleitor.
Política não se constrói apenas com campanha — se constrói com histórico, coerência e trabalho ao longo do tempo. Lideranças jovens e novas forças podem surgir, mas precisam de espaço e, principalmente, de voto consciente.
A verdadeira renovação não começa no candidato. Começa no eleitor.
Por: Jota Anderson – Jornalista – Formado em Administração Pública
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