
Repórter Jota Anderson
Um projeto encaminhado ao Comando Geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) propõe uma reestruturação na formação de oficiais e praças do Estado. Idealizado pelo pesquisador e professor amparense Vanderlei de Lima, o plano sugere a implementação de uma palestra focada na distinção técnica entre Transtornos Psicóticos e Psicopatia, visando aperfeiçoar o tirocínio policial em ocorrências de alta complexidade e suavizar as recorrentes críticas à atuação da corporação.
O documento foi enviado diretamente à Coronel PM Glauce Anselmo Cavalli, que assumiu recentemente o Comando Geral da instituição. De acordo com o autor, há um desconhecimento técnico generalizado dentro das forças de segurança sobre a diferença entre as patologias mentais propriamente ditas e o desvio de caráter marcado pela perversidade (psicopatia).
Como precedente histórico desse cenário de confusão conceitual, o especialista cita o desfecho do caso Eloá, ocorrido em 2008, além de relatos de consultas que recebe de próprios policiais na ativa.
A proposta pedagógica é dividida em três eixos de atuação estratégica para atingir todo o efetivo em um prazo estimado de dois anos: Academia do Barro Branco: Instituição de uma palestra anual voltada para os novos alunos-oficiais, preparando-os para atuar como multiplicadores do conhecimento junto aos seus futuros comandados. Escolas de Soldados: Aplicação da mesma instrução a cada nova turma em todas as Unidades Escolares da PM no Estado, mantendo a grade até que o corpo de oficiais esteja apto a assumir as aulas. Atualização do Efetivo Ativo: Determinação, via Grandes Comandos e Batalhões, para que as instruções passem a integrar o período de “atualização” anual das tropas operacionais e especializadas.
O professor Vanderlei de Lima ressalta que o conteúdo programático terá caráter estritamente técnico, sem qualquer interferência nos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) da PMESP, como técnicas de negociação ou controle de distúrbios civis. As aulas seriam oferecidas no formato presencial ou on-line.
A linha de abordagem sugerida baseia-se na metodologia canadense do Dr. Robert Hare (criador da Escala PCL-R para avaliação de psicopatia). No cenário nacional, o projeto apoia-se em referências como o psiquiatra forense Dr. Guido Palomba, a psiquiatra Dra. Hilda Morana, perita responsável pela validação da Escala Hare nos países de língua portuguesa. Deram parecer favorável, por escrito, ao projeto: Vitor Roberto Pugliesi Marques, médico neurologista, Hilda Morana, médica psiquiatra forense, Cáren Vian Cerezer, psicóloga clínica, e Felipe Bertazzo Tobar, advogado.
O proponente possui histórico de cooperação com a própria PMESP e com as Guardas Civis Municipais (GCMs) desde 2019, ano do “Massacre de Suzano”. Ele também assina artigos científicos e de opinião em parceria com o Coronel PM Valmor Saraiva Racorti, com quem publicou estudos sobre a prevenção de ataques ativos em escolas.
O pesquisador colocou-se à disposição do Comando Geral para realizar as capacitações de forma totalmente gratuita, sem vínculos partidários ou contrapartidas financeiras. O Comando da PMESP deve avaliar a viabilidade do projeto nos próximos dias. Lima – junto com Vitor Roberto Pugliesi Marques, médico neurologista, e Mateus Sgarbi, médico otorrinolaringologista – conseguiu, após vários anos de luta, que fosse incorporado no artigo 108 do Regulamento de Uniformes da PMESP o uso do gorro simples de lã quando a temperatura estiver igual ou menor que 10º. Antes, este gorro era proibido aos policiais militares nas ruas, mesmo no inverno.
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