
Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? (Ed. Benedictus).
Este artigo visa explorar a seguinte afirmação da Dra. Hilda Morana, psiquiatra forense: “A psicopatia na mulher é igual a do homem, porém muda o modus operandi” (Sobre psicopatia. São Paulo: Sparta, 2024, p. 34).
Com efeito, Harold Schechter, aqui seguido de perto, assevera que “a frase ‘serial killer mulher’ evoca a imagem de uma versão feminina de Jack, o Estripador: uma psicopata solitária que persegue e ludibria suas vítimas, assassinando-as e mutilando-as em seguida em um insano furor sexual. Na verdade não há mulheres que se encaixam nesse perfil particular – pelo menos não fora das picantes fantasias hollywoodianas como Instinto Selvagem (dirigido por Sharon Stone em 1992). Quando a polícia descobre um corpo com a garganta cortada, o torso aberto, as vísceras removidas e os genitais extirpados, tem razão em fazer uma suposição básica: o criminoso era um homem” (Serial Killers: anatomia do mal. Rio de Janeiro: DarkSide, 2013, p. 44).
Ainda que Aileen Wuornos perseguisse e matasse a tiros homens com quem pretensamente saía para fazer programa – ao todo 7, e, por isso, foi condenada à pena de morte, em 2002, na Flórida (EUA) –, a maioria das serial killers parecem ter mais prazer em matar por envenenamento.
Jane Toppan, de Boston, era alegre, extrovertida e sedutora. No entanto, por traz de tanta simpatia, escondia um lado obscuro: destruía por meio de fofocas a vida de quem ela não gostava e se deleitava em causar incêndios às escondidas. Encontrou, no entanto, seu melhor meio de ação perversa como enfermeira. No hospital, quando não havia ninguém por perto, administrava venenos diversos aos pacientes. Com o passar do tempo (psicopatas também evoluem), descobriu sua fórmula mágica: mesclar morfina com atropina e dar aos enfermos. Calcula-se que matou cerca de 100 pessoas em 10 anos. Presa, em 1901, foi considerada pela Justiça como portadora de “insanidade moral” (nome dado à psicopatia na época), e, por isso, enviada a um hospital psiquiátrico. Conta-se que aos 84 anos, ela ainda dizia à enfermeira: “Pegue a morfina, querida, e vamos dar um passeio na enfermaria. Será muito divertido vê-los morrer” (idem, p. 47). E mais: para ela, o ápice do prazer era “mais intenso quando deitava na cama com suas vítimas e as apertava contra o corpo enquanto estas sofriam suas derradeiras convulsões” (ibidem).
Já Anna Marie Hahn, também dos Estados Unidos, trabalhava como cuidadora de idosos. Todavia, tinha uma preferência inegociável: anciãos solitários e com volumosa soma em dinheiro. Depois de ganhar a confiança deles, os envenenava de diversos modos, sendo seu principal método a mistura de cerveja com arsênico. Só entre 1932 e 1935, ela intoxicou cerca de 15 idosos. Presa, foi a primeira mulher a morrer na cadeira elétrica no estado de Ohio. Mais perto de nós, no tempo, está Dorothea Puente. Nascida no México, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, dedicou-se, a princípio, a drogar homens velhos a fim de roubá-los. Presa, cumpriu pena e saiu. Alugou, então, uma casa antiga, em Sacramento, com a finalidade de servir de pensão para idosos. Em 1988, os vizinhos chamaram a Polícia devido ao mal cheiro vindo da casa de Puente. Os policiais, ao entrarem, encontraram 7 cadáveres. Ela fugiu, mas foi detida em Los Angeles. Acusada por 9 assassinatos (embora se calculem 25), pegou prisão perpétua.
Depois de dizer que as mortes causadas por homens são mais escabrosas no seu modus operandi, H. Schechter indaga: “Agora, se é mais perverso é outro assunto. Afinal, o que é pior: desmembrar uma prostituta depois de cortar sua garganta ou aconchegar-se na cama com um amigo íntimo que você acabou de envenenar e chegar repetidamente ao clímax enquanto sente o corpo ao seu lado minguar até a morte?” (ibidem, p. 45).
Reflitamos com muita atenção!
Vanderlei de Lima é autor do livro Psicopatas: Quem são? Como agem? Que fazer com eles? (Ed. Benedictus).
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